“Eu sou assim mesmo, meio ansioso”, quando a ansiedade deixa de ser traço e vira padrão de sofrimento
- Consultório Dr Naian
- 21 de jan.
- 2 min de leitura
Dr. Naian Mathias - Psiquiatra

Quantas vezes você já ouviu ou disse a frase “eu sou assim mesmo, meio ansioso”? Para muita gente, viver acelerado, preocupado o tempo todo e em constante estado de alerta acaba sendo tratado como traço de personalidade. Algo que faz parte do jeito de ser.
Mas, em muitos casos, isso não é apenas personalidade. É um padrão biológico de ansiedade que foi sendo normalizado ao longo dos anos.
Quando a ansiedade vira parte da identidade
Palpitação frequente, sono leve, dificuldade para desligar a mente, preocupação constante e sensação de urgência o tempo todo costumam ser vistas como características pessoais. A pessoa aprende a conviver com isso, ajusta a rotina, se cobra mais e segue funcionando.
O problema começa quando esse estado passa a comandar tudo: decisões, energia, humor, produtividade e relacionamentos. A vida segue, mas sempre no limite. Sempre cansada. Sempre em alerta.
Funcionar não significa estar bem.
Ansiedade não é só sentir medo ou nervosismo
A ansiedade tratável não é aquela que aparece de vez em quando, diante de um desafio pontual. Ela se caracteriza pela persistência.
Alguns sinais comuns incluem:• mente acelerada a maior parte do tempo• dificuldade para relaxar, mesmo em momentos de descanso• sono superficial ou não reparador• preocupação constante com situações futuras• tensão corporal frequente• sensação de estar sempre “ligado” ou em vigilância• cansaço emocional contínuo
Esse padrão se repete por semanas, meses ou até anos, e vai sendo incorporado como parte da identidade da pessoa.
“Eu dou conta, mas vivo esgotado”
Esse é um relato muito comum no consultório. A pessoa trabalha, estuda, cuida da família, mantém compromissos, mas vive em um estado constante de exaustão.
A ansiedade passa a consumir energia mental e física. Pequenas decisões cansam. O descanso não recupera. O prazer diminui. Relações ficam mais tensas. O corpo e a mente nunca desligam completamente.
Esse funcionamento sustentado à base de esforço costuma cobrar um preço alto com o tempo.
Avaliação psiquiátrica não é sobre rótulos
Na consulta, o foco não é rotular ou definir quem você é. O objetivo é entender o que está acontecendo.
Avaliar ansiedade envolve observar:• intensidade dos sintomas• frequência e duração• gatilhos emocionais ou contextuais• impacto na rotina, no trabalho e nas relações• padrão de sono, energia e concentração
Cuidar da ansiedade não é mudar sua personalidade. É devolver espaço para que você viva com mais equilíbrio, sem estar o tempo todo em modo de sobrevivência.
Ansiedade tratável é aquela que limita sua vida
Quando a ansiedade começa a limitar escolhas, reduzir qualidade de vida e ocupar espaço demais na rotina, ela merece cuidado. Não porque você é fraco, mas porque seu sistema está sobrecarregado.
Tratar ansiedade é sobre compreender o funcionamento do seu corpo e da sua mente e construir um plano possível, individualizado e acompanhado.
Talvez esse texto tenha te descrito mais do que você gostaria
Se você se reconheceu aqui, vale olhar para isso com mais atenção. Normalizar o sofrimento não faz com que ele desapareça.
Buscar avaliação é um passo de cuidado, não de mudança de quem você é. É uma forma de recuperar energia, clareza e presença na própria vida.
Dr. Naian Mathias – Psiquiatra | CRM 70224 | RQE 68695
⚠ Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica individual.
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