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Nem toda depressão parece tristeza, quando o sofrimento se disfarça no dia a dia

  • Foto do escritor: Consultório Dr Naian
    Consultório Dr Naian
  • 15 de jan.
  • 3 min de leitura

Dr. Naian Mathias - Psiquiatra






Quando se fala em depressão, muita gente ainda imagina apenas tristeza intensa, choro frequente ou isolamento completo. Mas a realidade clínica é mais ampla. Nem toda depressão se manifesta dessa forma, e é justamente isso que faz com que muitos quadros demorem a ser reconhecidos e cuidados.

Existe um tipo de apresentação conhecida como depressão mascarada, em que o sofrimento emocional aparece de maneira indireta, muitas vezes confundida com cansaço, estresse ou problemas físicos. A pessoa segue funcionando, trabalhando, estudando e cuidando da rotina, mas por dentro sente que algo não vai bem.

O que é a chamada depressão mascarada

A depressão mascarada não significa que o sofrimento seja menor ou menos importante. Significa apenas que ele não se expressa de forma clássica.

Em muitas pessoas, os sinais aparecem como:• irritabilidade constante ou explosões de impaciência• cansaço persistente que não melhora com descanso• dores pelo corpo sem causa clínica evidente• dificuldade de sentir prazer nas coisas que antes gostava• isolamento gradual, mesmo mantendo compromissos• sensação de estar no piloto automático• queda de energia e motivação

Externamente, a vida parece seguir. Internamente, o peso emocional aumenta aos poucos.

“Estou dando conta de tudo, então não pode ser depressão”

Esse é um pensamento muito comum e um dos principais motivos para o adiamento da busca por ajuda. Muitas pessoas acreditam que, enquanto conseguem cumprir obrigações, não há motivo para preocupação.

Na prática, funcionar não significa estar bem. A depressão pode coexistir com produtividade, responsabilidades e desempenho. O custo disso costuma ser alto: esgotamento emocional, perda de sentido e sofrimento silencioso.

Sorrir por fora e sofrer por dentro não é sinal de fraqueza, é sinal de que algo precisa ser olhado com mais cuidado.

Quando não é “apenas uma fase”

Oscilações de humor fazem parte da vida. O alerta acende quando o cansaço, a irritação e o desânimo passam a se repetir por semanas, começam a afetar o sono, o apetite, as relações e o prazer nas atividades do dia a dia.

Outro sinal importante é a sensação de precisar “atuar bem” para os outros, enquanto por dentro existe vazio, exaustão ou falta de sentido. Esse esforço constante para manter a aparência de normalidade costuma aumentar ainda mais o sofrimento.

A importância da avaliação psiquiátrica nesses casos

A avaliação psiquiátrica não é um espaço de rótulos rápidos. Ela é um momento de escuta, investigação e organização do que está acontecendo.

Durante a consulta, são considerados:• história de vida e contexto atual• rotina, trabalho e relações• padrão de sono, energia e apetite• sintomas físicos e emocionais associados• duração e intensidade dos sinais• impacto na qualidade de vida

A partir disso, é possível organizar hipóteses clínicas e construir um plano de cuidado individualizado, respeitando o ritmo e a realidade de cada pessoa.

Tratamento não é pressa, é planejamento

O tratamento da depressão não segue uma fórmula única. Em alguns casos, a medicação é indicada e pode ser uma ferramenta importante. Em outros, ajustes de rotina, acompanhamento próximo e psicoterapia fazem parte do plano.

O ponto central é que nada é imposto. As decisões são construídas com clareza, explicação e acompanhamento contínuo. O objetivo não é silenciar sintomas, mas ajudar a pessoa a recuperar energia, sentido e qualidade de vida.

Pedir ajuda é cuidado consigo

Adiar essa conversa costuma aumentar o peso emocional. Buscar ajuda não é sinal de fraqueza de caráter, falta de força ou incapacidade. É um ato de cuidado e responsabilidade consigo mesmo.

Se você se reconhece nesses sinais, saiba que não precisa enfrentar isso sozinho. Existe tratamento, existe acompanhamento e existe um caminho possível.




Dr. Naian Mathias – Psiquiatra | CRM 70224 | RQE 68695

⚠ Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica individual.

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