Saúde mental na adolescência, quando o sofrimento não é “apenas fase”
- Consultório Dr Naian
- 28 de jan.
- 3 min de leitura
Dr. Naian Mathias - Psiquiatra

A adolescência é, de fato, um período de mudanças intensas. Transformações físicas, emocionais e sociais fazem parte do desenvolvimento. No entanto, nem todo sofrimento emocional pode ou deve ser tratado como algo normal da idade.
Quando sinais de sofrimento persistem, se repetem ou começam a afetar a vida do adolescente, é fundamental olhar para isso com mais atenção. Ignorar esses sinais não fortalece, apenas prolonga a dor.
A maioria dos transtornos mentais começa antes dos 18 anos
Dados epidemiológicos mostram que a maioria dos transtornos mentais tem início ainda na infância ou adolescência. Muitos sintomas aparecem de forma sutil, mas acabam sendo minimizados ou confundidos com “rebeldia”, “preguiça” ou “fase difícil”.
Com o tempo, o que poderia ser cuidado de forma precoce se transforma em sofrimento silencioso, queda de rendimento, isolamento e perda de qualidade de vida.
Reconhecer cedo não é rotular, é proteger.
Sinais emocionais que não devem ser ignorados
Algumas mudanças fazem parte do desenvolvimento, mas existem sinais que merecem atenção quando persistem por semanas ou meses.
Entre eles:• mudanças bruscas e frequentes de humor• isolamento social ou afastamento de amigos• irritabilidade constante ou explosões emocionais• alterações importantes no sono• queda no rendimento escolar ou dificuldade de concentração• falas frequentes de desânimo, vazio ou desesperança• perda de interesse por atividades que antes davam prazer
Esses sinais não indicam fraqueza, drama ou falta de esforço. Muitas vezes, são a forma possível de um adolescente pedir ajuda.
Sofrimento emocional não tratado vira silêncio
Um ponto delicado da saúde mental na adolescência é que, quando o sofrimento não encontra escuta, ele tende a se transformar em silêncio. O adolescente passa a se fechar, evita conversas e aprende a esconder o que sente.
Esse silêncio não significa melhora. Pelo contrário, costuma estar associado ao agravamento do quadro emocional, maior risco de adoecimento e dificuldades que podem se estender para a vida adulta.
A importância da avaliação psiquiátrica precoce
A avaliação psiquiátrica na adolescência não é um espaço de julgamento ou decisões precipitadas. É um momento de escuta cuidadosa, investigação e compreensão do contexto em que aquele jovem está inserido.
Durante a avaliação, são considerados:• história emocional e familiar• rotina de sono, estudos e atividades• relações sociais e familiares• mudanças recentes ou fatores de estresse• intensidade, duração e impacto dos sintomas
A partir disso, é possível organizar hipóteses clínicas e construir um plano de cuidado individualizado, sempre respeitando o momento do adolescente e envolvendo a família quando indicado.
Informação e escuta reduzem sofrimento e riscos
Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 1 em cada 7 adolescentes vive com algum transtorno mental. Além disso, o suicídio está entre as principais causas de morte nessa faixa etária.
Esses dados não têm o objetivo de gerar medo, mas de reforçar a importância da informação, da escuta sem julgamento e da busca por avaliação quando algo não vai bem. O cuidado precoce reduz sofrimento, previne agravamentos e salva trajetórias de vida.
Cuidar da saúde mental na adolescência começa com atitudes possíveis
Algumas atitudes simples fazem grande diferença:• criar um espaço seguro para conversar• ouvir sem minimizar ou ironizar o sofrimento• ajudar a organizar rotina de sono e atividades• observar mudanças persistentes de comportamento• buscar avaliação profissional quando os sinais continuam
Cuidar não é controlar, é acompanhar com presença e responsabilidade.
Procurar ajuda é um ato de cuidado
Se você é pai, mãe, responsável ou adolescente e sente que algo não está bem, não espere piorar. Buscar ajuda não é exagero, não é sinal de falha e não é antecipar problemas. É um ato de cuidado.
Dr. Naian Mathias – Psiquiatra | CRM 70224 | RQE 68695
⚠ Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica individual.
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